Mostrar mensagens com a etiqueta manipulação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta manipulação. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, setembro 06, 2012

Hardtalk - um homem impoluto

Perante um jornalista devidamente preparado, que não presta vassalagem ao iluminado, a arrogância tomba, balbuciam-se palavras, as frases feitas tremem. É tão mais difícil quando se exibem as contradições que dizem no momento. É esta figura que está encarregue do desmantelamento do património público?  

"Usain" Borges - a falta que faz gritar
"Digam o que disserem, o programa está a correr melhor do que se pensava." Isto foi António Borges, ontem, na Universidade de Verão do PSD, o programa sendo a aplicação do ditado da troika para Portugal, na sua atual versão (o memorando original, assinado em abril de 2011, já foi revisto quatro vezes), conjugado com as medidas, "além de", que Passos entendeu associar-lhe. Digam o que disserem, diz Borges, referindo-se, supomos, aos números da execução orçamental, que dizem o contrário. Mas, alerta, ele é que sabe. Porquê? Porque tem "conhecimento de causa": "Estava no FMI quando o programa foi desenvolvido."

É vero: Borges era diretor do FMI para a Europa quando o memorando foi negociado. E, apesar de a 15 de abril de 2011 ter invocado uma norma do FMI de não envolvimento de nacionais nas questões dos seus países - "Não vou estar muito envolvido com o processo português - na verdade, vou distanciar-me do programa português e não me vou envolver com Portugal" - a sua proposta enquanto "vice" do PSD na era Ferreira Leite, de baixar dramaticamente a taxa social única, que não estava nos memorandos negociados antes com Grécia e Irlanda, tornou-se não só a medida estrela do português, imposta ao governo de então, que dela discordou abertamente, como do programa do PSD para as legislativas de junho de 2011. Coincidência, claro. Como terá sido feliz coincidência para Borges, que em 2009 defendia "a privatização total" até da Segurança Social, a imposição de privatizações de sectores estratégicos no memorando português - privatizações que, como reconheceu nas declarações de abril de 2011, não estavam noutros acordos. E se concedia que "nem tudo pode ser privatizado e o processo leva tempo porque há interesses nacionais muito importantes a ter em causa", logo a seguir concluía: "As privatizações podem suceder muito depressa. Se se contratar externamente o processo e se se encontrar as pessoas certas para o fazer, pode acontecer muito muito depressa, asseguro-vos."

A pessoa certa, pois. O homem que saiu da direção do FMI Europa direto para se ocupar do aspeto mais lucrativo do programa português (entre o anúncio da saída, em novembro de 2011, e o de que iria supervisionar as privatizações portuguesas passaram 47 dias - incrivelmente, o FMI não impõe regras para tais "transferências"), é sem dúvida um prodígio de rapidez. Já o provara ao passar da Goldman Sachs, no centro da crise financeira internacional, para o FMI; mas ao impor as suas ideias ao País e aplicá-las sem se submeter à prova das urnas, e ser ministro sem nenhuma das desvantagens - da baixa retribuição à interdição de flagrantes conflitos de interesses e ao escrutínio público -, Borges bateu todos os recordes.

Que isto suceda, sem escândalo, no País onde se exige a responsáveis políticos um período de nojo de três anos antes de trabalharem no sector que tutelavam só pode levar-nos a concluir que andamos muito lentos - parados, mesmo. A precisar de uma boa gritaria.

terça-feira, agosto 14, 2012

Secretário de Estado do Emprego - estar desempregado é uma oportunidade de uma vida: um radical extremista


Um secretário de estado é desmentido por um estudo que indica que "não foi encontrada evidência robusta de que a maior facilidade em despedir tivesse efeitos significativos na criação de emprego ou no fluxo de trabalhadores." Curioso é que o autor do estudo é mesma pessoa que hoje é secretário de estado. Tornou-se mais clarividente, e basta o dogma para tornar comprovado aquilo que nenhum facto demonstrou. Exibe igualmente a falta de carácter e honestidade de um decisor político.



Despedir evidências
(...) Coincidindo com a entrada em vigor da nova lei laboral, o secretário de Estado do Emprego, Pedro Silva Martins, publicou um artigo no Público em que explica de que modo a desproteção dos trabalhadores através da redução brutal das indemnizações nos despedimentos (sem justa causa, frise-se) vai "melhor defender a segurança no emprego".

Silva Martins começa por justificar a urgência da intervenção (a terceira reforma laboral em oito anos) afirmando que até agora as empresas portuguesas se encontravam "numa situação de desvantagem nos vários indicadores de rigidez laboral". Ilude assim o facto de, desde 2009, a OCDE colocar o País a par da Alemanha em matéria de flexibilidade (e isso apenas cotejando as legislações nacionais: os valores das indemnizações para os alemães são geralmente determinados por acordos sectoriais muito mais favoráveis aos trabalhadores do que o estipulado na lei). Não surpreende pois que prossiga o texto indiferente à evidência de que mexidas consecutivas nas leis laborais no sentido da flexibilização e da redução dos custos do despedimento sem justa causa não lograram aquilo que, garante, esta vai garantir: "Ser amiga da criação de emprego, promovendo a flexibilidade necessária para que os desempregados tenham oportunidades para se integrar na economia."

Nada de novo nisto, dir-se-á: estamos cada vez mais habituados a ver os membros deste Governo ignorar olimpicamente a realidade. Sucede que não é todos os dias que se vê alguém afirmar como governante aquilo que enquanto académico negara. É que Silva Martins, que se doutorou em Economia pela Universidade de Warwick, Reino Unido, publicou em 2009, no Journal of Labour Economics, um artigo intitulado "Despedimentos com causa: a diferença que apenas oito parágrafos podem fazer", no qual analisa o impacte da reforma que em 1989 reduziu os custos dos despedimentos sobretudo nas firmas de menos de vinte trabalhadores. "Dos 12 parágrafos da lei que estabelecem os caros procedimentos que as firmas têm de seguir para despedir um trabalhador invocando causa, oito não se aplicam às firmas pequenas", dizia o ora membro do Governo, que considerou a distinção uma espécie de "experiência quasi-natural".

Verificou, assim, uma descida significativa dos salários nas empresas mais pequenas, que atribui à perda de poder negocial dos trabalhadores, e um incentivo na eficiência que no entanto concede poder dever-se a melhorias na gestão. Mas no que respeita à criação de emprego e à fluidez de trabalhadores, foi forçado a concluir o contrário do que esperava - ou, como escreve, "do que a teoria predizia": "Não foi encontrada evidência robusta de que a maior facilidade em despedir tivesse efeitos significativos na criação de emprego ou no fluxo de trabalhadores."

A diferença que três anos podem fazer: o Pedro secretário de Estado despediu o Pedro académico. Ou isso ou é viciado em experiências.

In: Diário de Notícias



segunda-feira, agosto 13, 2012

Fanáticos extremistas radicais: BCE quer salários mais baixos para países em dificuldades


BCE quer salários mais baixos para países em dificuldades
O Banco Central Europeu (BCE) recomenda aos países da zona euro sob assistência financeira, e com altos níveis de desemprego, que avancem com mais reformas estruturais para restaurarem a competitividade. Entre elas, sugere que se baixem os salários, nomeadamente o salário mínimo, que em Portugal se situa em 485 euros.

Para isso, o BCE diz, em particular, que é preciso flexibilizar a legislação de protecção do emprego, abolindo a indexação salarial e baixando o salário mínimo.
in: Público


Ordenado líquido dos portugueses caiu 107 euros em dois anos 
 
 
De acordo com cálculos do DN/Dinheiro Vivo a partir dos dados do Banco de Portugal (...), o salário líquido médio apurado nos primeiros seis meses deste ano ronda os 1 020 euros mensais, 107 euros abaixo do valor de há dois anos (era 1127 euros em junho de 2010). A base de dados mostra que é preciso recuar oito anos para encontrar um salário tão baixo




Comissão Europeia: São precisas mais medidas que promovam reduções salariais

1,2 milhões de trabalhadores são pobres
Precariedade, salários baixos e desemprego são o retrato de um país pobre

A Eurostat conta dois milhões e 693 mil pobres em Portugal em 2010, mais 45 mil do que em 2009. A taxa de pobreza nos empregados por conta de outrem é a terceira maior da União Europeia. E está a subir. A par disto, cresce o desemprego e aumentam impostos.

Com base em dados do Eurostat e do INE, mostram que o número de trabalhadores pobres - que vivem com menos de 434 euros por mês - aumentou quase 12% entre 2009 e 2010. São mais 124 mil casos que engrossam este contingente total de 1,2 milhões de empregados pobres.
In: Jornal de Notícias

Mais de 25% dos portugueses ameaçados de pobreza ou exclusão em 2010
Mais de um quarto dos portugueses estavam ameaçados de pobreza ou exclusão social em 2010. Os números divulgados (...) pelo Eurostat revelam que 2,7 milhões de portugueses estavam confrontados com (...) formas de exclusão social.
In: Público

Como é natural, há quem considere o estado de pobreza um sinal de luxúria consumista. Até à indigência geral, há muita gordura para cortar:

Hábito de viver com generosos subsídios - os mitos que tombam perante factos

Apenas 43,5% dos desempregados recebiam subsídio em Junho


Meio milhão de desempregados já não tem acesso ao subsídio de desemprego
Novas regras ainda vão tornar o quadro mais negro. Subsídios vão ser pagos durante menos tempo e os montantes serão menores




Generoso? Só para alguns. Portugal entre os países com menor cobertura do subsídio de desemprego

A comparação parece simples, mas raramente surge nos relatórios das organizações internacionais.

Os dados publicados pela OCDE, com base em informação solicitada ao ministério da Segurança Social, mostram que Portugal está entre os países desenvolvidos com menor proporção de desempregados com subsídio de desemprego.
In: Massa Monetária

sábado, dezembro 10, 2011

Manipulação especializada - specialized manipulation

A argumentação grotesca de "especialistas". Tributar aqueles que beneficiam de benesses injustificáveis é uma perseguição. Contudo, pobres que tenham um micro-ondas ou frigorífico devem ser tributados. A Fox News no seu "melhor". Mais uma vez, o Daily Show mostrou como é:
The government could raise €485 billion by either taking half of everything earned by the bottom 50% or by raising the marginal tax rate on the top two percent.


The Daily Show With Jon StewartMon - Thurs 11p / 10c
World of Class Warfare - The Poor's Free Ride Is Over
www.thedailyshow.com
Daily Show Full EpisodesPolitical Humor & Satire BlogThe Daily Show on Facebook